Poetisa Dayane Rocha

sábado, 6 de abril de 2013


Não tem ouro no mundo que convença
Enterrar o que tem no coração
Mesmo estando pra lá do Maranhão
Inda sinto comigo tua presença
Me arrisco esperando essa sentença
Faço tudo pra ter o seu amor
Pra somente sentir o teu calor
Outro alguém no meu peito não coloco
"Não te vendo, te alugo, nem te troco
Pois dinheiro nenhum tem seu valor."

Mote: Mariana Véras                            30/01/13
Glosa: Dayane Rocha 



Pra sentir o teu abraço
O teu beijo teu calor
O doce do teu amor
Prender-te no forte laço
Pra cair no teu enlaço
Seria perfeitamente
Queria te ter presente
Pra que você não partisse
"A se Deus me permitisse
De te encontrar novamente."

Mote: Gislândio Araújo
Glosa: Dayane Rocha 


Não preciso ficar só nesse muro
Nem andar sobre a corda bambeada
Sem saber o caminho dessa estrada
Se tá claro ou vai tá só no escuro
Encontrar um bom ouro sem ser puro
Deixo as coisas do jeito que ela estar
E pra isso não ter que piorar...
É melhor tá bem longe do que perto
Entre o tal duvidoso e o que é certo
Eu prefiro viver sem me arriscar.

Dayane Rocha 


Se tivesse uma coisa limitada
Mesmo assim não iria interromper
Não avisa quando ele vai nascer
Ver a porta que tá escancarada
Entra logo num pergunta quase nada
Cada dia que passa aumentando
E o corpo todinho se entregando
sem ter nível pra essa puberdade
"Se amar dependesse de idade
O amor já taria caducando."

 Mote : Gislândio Araújo.
Glosa: Dayane Rocha 

Meu semblante de luto entristecido
Esse preto me veste lentamente
Me transforma por dentro plenamente
Não encontro outro fogo aquecido
O meu dia não é tão mais vivido
E a noite pra mim é muito fria
Minha vida ficou muito vazia
Inda lembro de ti a toda hora
De tristeza eu to viva só por fora
Que a saudade não mata mais judia.                                                     

 Dayane Rocha 

Que distância nenhuma nos separa
Nós estamos unidos como um elo
Nosso amor é tão forte e é tão belo
Os problemas da vida a gente encara
Por você posso até quebrar a cara
Mas eu vou tudo isso superar
E o tempo já mais vai apagar
Os momentos que a gente sonha em ter
Que viver sem você é não viver
Que morrer sem te ter é descansar. 

Dayane Rocha

27\01\12



Resolvi visitar um bom doutor
Pra saber o que tá acontecendo
Eu sentindo uma parte já morrendo
E a outra igual a uma flor...
Onde as pétalas caindo, já sem cor
O seu caule sem vida sem vontade
Eu não sei se é maligno ou tem “bondade”
Os remédios não servem na “mistura”
Esse vírus em mim já não tem cura
A doença que tenho é a saudade.

O doutor afirmou com a certeza
Que esse vírus se expande bem ligeiro
Que não tem injeção e nem dinheiro
Que transforme de novo essa beleza
Não possui nenhum ser com a riqueza
Pra sair dessa sua enfermidade
Nosso corpo todinho ela invade
E causando na gente uma frescura
Esse vírus em mim já não tem cura
A doença que tenho é a saudade.


Os sintomas são sempre repentino
Febre alta, um vazio no coração
Uma angústia uma triste solidão
Já não sei qual será o meu destino
Não consigo entoar meu próprio hino
Causa assim uma grande crueldade
Eu queria um pouquinho de piedade
Mas a vida não deu outra abertura
Esse vírus em mim já não tem cura
A doença que tenho é a saudade.

Dayane Rocha


Essa cruz que carrego é tão pesada
E será que vai ter um Cireneu?
Dividindo esse peso que é meu
Me ajudando na longa caminhada
Tantas curvas terá na minha estrada
E eu sei que vai ter os seus assombros
Uma foto perdida nos escombros ...
E me deixa ariado e quase louco
“Cada dia que passa aumenta um pouco
Da saudade que pesa nos meus ombros."

Mote : Pedro Torres.      25\01\13
Glosa: Dayane Rocha

A distância  tornou-se minotauro
Onde sempre lhe sirvo de refém
E que é dividido em mais de cem
Se tornando também um dinossauro
Malassombro é esse alossauro
Que é dono da minha crueldade
E de mim nunca teve piedade
Quando passa é sempre bem veloz
"A ausência é o monstro mais feroz
Que passeia no bosque da saudade."


Mote: Pedro Filó
Glosa: Dayane Rocha

Depois que a chuva voltou.

No mote do mestre Dedé Monteiro:

A seca por ser feroz
Nesse sertão sofredor
Os homens trabaiador
Saíram dele veloz
Ninguém ouvia sua voz
Mais Deus também se alembrou
Asa branca retornou
Com o ronco do trovão
Veio de novo ao sertão
"Depois que a chuva voltou."


Os rios agora correndo
Água de novo juntando
O povo se animando
Não “guentava” tá sofrendo
Mas agora tá chovendo
Todo mundo se animou
A natureza cantou
A sua santa riqueza
Aumentando a beleza
"Depois que a chuva voltou."


A safra tá pra chegar
Pois a água floresceu
Rosinha “endoideceu”
Quando falou em casar
Ela feliz vai ficar
Luizinho já ficou
Na canção anunciou
Que vai ser no fim do ano
Já bolaram até um plano
"Depois que a chuva voltou."


Os besouros estão voltando
Os sapos já comemora
Um casal que se namora
Um no outro esquentando
O pai fica vigiando
Os olhos arregalou
A menina se encantou
A moça dali fugiu
E pra casa ressurgiu
"Depois que a chuva voltou."

A mata se recobriu
O povo ficou contente
A terra tá sorridente
E novamente floriu
Depois que a vaca pariu
A cria se levantou
Depois lhe amamentou
Ela ficou  protegendo
alegre saiu correndo
"Depois que a chuva voltou."



Agricultor agradece
Por ter chuva no seu chão
Pra molhar a plantação
Ele fez a sua prece
O seu patrão obedece
E também já lhe pagou
Uma pinga ele tomou
Antes de chegar em casa
Já tinha carne na brasa
"Depois que a chuva voltou."

Quem tá longe alegre fica
Pela a chuva do sertão
Em jornal, televisão
Ver a terra ficar rica
Pra tomar banho de bica
Até vó se animou
De alegria até chorou
Pois está tudo molhado
Vai plantar no seu roçado
"Depois que a chuva voltou."


Dayane Rocha

Clima de chuva


O céu muda sua cor
Como na experiência
Vai ter chuva com frequência
Aqui no interior
No rádio, computador
Já tá tudo anunciando
O sertão se animando
E o povo tudo animado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

Um barulho tão bonito
Lá do céu já vem surgindo
Uns tem medo vão dormindo
Outros acham esquisito
Espantando até mosquito
As nuvens se derrapando
Relampo anunciando
O truvão vai ser danado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

Eu fico toda contente
Quando isso acontece
A mão de Deus é quem desce
Me inspira no repente
Interessante essa gente
Que quando tá trovejando
Fica tudo amarelando
Pense num medo danado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

A chuva cai na biqueira
Um pingo em cima da cama
Painho logo reclama
Nunca viu tanta goteira
Se parece com peneira
Bacias se espalhando
A paciência acabando
E os troço tudo molhado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

Tem chuva tem alegria
Tem colheita, plantação
Uma boa irrigação
Cai do céu nessa invernia
Os pássaros cantam de dia
A noite já tão sonhando
Logo cedo acordando
Cantando bem embalado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.


Uma torneira ligada
Pra molhar esse sertão
Com essa transposição
Dilma tá é desligada
Se acalme camarada
Deus pra nós está olhando
Você não tá se importando
Mas aqui nesse roçado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

Um matuto bem feliz
Quando começa a chover
Eu já começo correr
Mãe me chama de infeliz
Num é assim que se diz
Mas por mim pode ir rezando
Que eu não tô nem ligando
Muito menos preocupado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

É o frio fazendo a festa
Se “aprochega” com a saudade
Um moleque em liberdade
E um véim franzindo a testa
Numa vida feita esta
Quero tá me enrolando
Noutro ser tá se esquentando
E dormir agasalhado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.


É um cafezinho bem quente
Uma conversa gostosa
Uma boa noite de prosa
Com mistura de repente
Uma dose de aguardente
Que chega desse rasgando
Um doido fica falando
Mais fala tudo atroado
É flash pra todo lado
E uma zabumba tocando.

Sertão


Eu vejo o povo animado
O sertanejo cantando
Agricultor caminhando
No sentido do roçado
Mais forte já fica o gado
Já tem boa plantação
“Passarim” canta canção
E o solo só fica ouvindo
Eu sinto a terra sorrindo
Quando a água cai no chão.
Cheiro de terra molhada
“poça” de água juntando
E eu fico experimentando
O sabor dessa “qualhada”
A vista esverdeada
Ouço som de um trovão
Relâmpago trás emoção
E as nuvens vão se unindo
Eu sinto a terra sorrindo
Quando a chuva cai no chão.

Se acaba a energia
Já ascende o candeeiro
Água cai lá no terreiro
E aumenta a alegria
A moça faz poesia
Em “riba” de um fogão
“Ai tá quente”? “ tá não”
E já sente o vento vindo
Eu sinto a terra sorrindo
Quando a chuva cai no chão.

O milho se “embonecando”
Pamonha já tão fazendo
O gado fica comendo
E o leite já vão tirando
O povo se alegrando
Canjica, manga, melão
Bajem do pé de feijão
Que vozinha fica abrindo
Eu sinto a terra sorrindo
Quando chuva cai no chão.

A caatinga se renova
Animando seu vaqueiro
Que foi forte foi guerreiro
Esperando a boa nova
Pois tirou o pé da “cova”
Encontrou a solução
Derrubar o boi no chão
E ver o gado subindo
Eu sinto a terra sorrindo
Quando a chuva cai no chão.

Tudo fica mais bonito
Dá “té” gosto de se ver
Tem fartura, o que comer
Antes “tava” um esquisito
Acho que Santo Expedito
Visitou o meu sertão
Foi pedir pra seu patrão
Mandar água de repente
E o povo fica contente
Com a chuva nesse chão.

Dayane Rocha

Uma fonte de água cristalina
Se formou quando olhei nos olhos teus
O rio Nilo chorou nos olhos meus
Nós nos vimos na noite natalina
O destino mudou a minha sina
Separados agora nós estamos
O meu corpo do teu nós separamos
Isso em mim me casou até desgosto
"Uma lágrima caiu sobre o meu rosto
Ao lembrar do sorriso que nós damos."

Mote: Lucas Rafael
Glosa: Dayane Rocha 






Sou neta de sanfoneiro
E que teve um alto porte
Um homem tão puro e forte
Com a alma de um guerreiro
Biu bi Tu foi um “mestreiro”
Que me ensinou tocar
A vida saber guiar
Pra falar dos meus amores
“Sou do Pajeú das flores
Tenho razões de cantar.”

Da terra de Terra Quente
Bravo feito Lampião
Que viveu nesse Sertão
Só de pinga e aguardente
Me inspirou fazer repente
Correia longe hoje estar
De sua mãe foram tirar
E eu cantei as suas dores
“Sou do Pajeú das flores
Tenho razões de cantar.”

Não sou gente sou anjinho
Que gosta de poesia
Eu vivo com alegria
Lá no meu santo Brejinho
Dizem que sou diabinho
Mas deixo o povo falar
Quando me verem passar
Grita pelos meus clamores
“Sou do Pajeú das flores
Tenho razões de cantar.”

Da cidade de Tabira
Uma flor que desabrocha
Que eu sou Dayane Rocha
O sobrenome de Lira
Visitei a Macambira
Pra poder saber falar
Do povo do meu lugar
E também dos seus louvores
“Sou do Pajeú das flores
Tenho razões de cantar.”

Dayane Rocha 

Tive um sonho contigo tão perfeito
Eu seria para sempre a sua dama
Os dois corpos unidos numa cama
Mais a noite passou e foi desfeito
O castelo que fiz, ficou sem jeito
Não passei a sentir o teu calor
Não guardei de você nenhum rancor
Mas agora procuro outra opção
Eu mereço um pouquinho de atenção
Mas você não merece o meu amor.
                                     
Dayane Rocha 

A verdade é que sofro por te amar
Pois quem ama também já fica cego
Não consigo encontrar meu próprio ego
Tá perdido mas não sei em que lugar
Eu pretendo de vez o encontrar
Acionar de uma vez esse motor
Ilusão para mim não tem mais cor
E a saudade me veste de listrado
“Não é justo eu chorar apaixonado
Por quem tanto sorriu da minha dor.”

Meu semblante morreu por causa tua
Mas eu sei que ele vai ressuscitar
E que um dia também irei rasgar
O retrato que tem a foto sua
Só não vou esquecer aquela lua
Testemunha de todo meu rancor
Para os céus eu irei pedir clamor
Nem teu nome por mim será lembrado
“Não é justo eu chorar apaixonado
Por quem tanto sorriu da minha dor.”

Mote: Zé Adalberto
Glosa: Dayane Rocha


O meu corpo sentido tanto frio
E querendo sentir outro calor
E que fosse um bom aquecedor
Que acabasse de vez esse vazio
e juntasse nós dois num arrepio
Pra juntinhos poder se agasalhar
A fogueira de dentro incendiar
Mas não sinto a pegada como noutro
Os meus pés se esfregam um no outro
Por não ter outros pés pra se esquentar

Dayane Rocha 

Fui o alvo esperando o tiro certo
Só bastava o gatilho pra puxar
Nos meus olhos os teus olhos pra mirar
Diminua a distância pra mais perto
Não precisa dizer que estou incerto
E eu topo te dar meu coração
Mais o vento mudou a direção
E o tiro não pôde ser perfeito
Eu senti um abalo no meu peito
Era a bala passando de raspão

Dayane Rocha 

Nossas horas contadas todo instante
Não deixava passar nenhum segundo
Eu pedia pra Deus e para um mundo
Me da mais desse tempo que é restante
Sou mulher sou esposa sou amante
Tantos planos contigo sonho em ter
Mas não guento todo esse meu sofrer
Em saber que um dia te perdi
"Que o amor mais bonito que vivi
Já nasceu programado pra morrer"

Mote: Pedro Torres 
Glosa: Dayane Rocha 

As calungas, casinha e a lembrança
Estão todas guardadas na instante
Se tornaram pra mim tão importante
Ressuscito por dentro  a esperança
Que outrora brincava bem criança
Quando vó já voltava do roçado
Os cabelos da espiga, era pintado
Eu achava tão linda tal virtude
"São tesouros da minha juventude
Que preservo no cofre do passado."

Mote: Carlos Aires
Glosa: Dayane Rocha
 


Os caminhos estreitos que adentrei
Já passou o meu ídolo que é Jesus
Que cansado carregava sua cruz
Quando vi essa cena até chorei
E com um peso por dentro até fiquei
Esse medo acabando minha paz
E deixando em meu peito dois punhais
Um me deixa bem triste e bem nervosa
"A vereda da vida é tão penosa
Que me assombro com as curvas que ela faz."

Mote: Zé Adalberto
Glosa: Dayane Rocha 



No estoque de panos e costuras
Onde as linhas também já fazem parte
Costurando por dentro nossa arte
Etiqueta das roupas são culturas
O botão que é pregado das agulhas
Foi usado também pelo um guerreiro
Eu dei força a Davi tão verdadeiro
Derrubar até mesmo o satanás
"Poesia que veste a alma faz
Do poeta um exímio costureiro"

Mote: Silvano Lyra
Glosa: Dayane Rocha 

Nosso ninho de amor ficou desfeito
Pelos erros que foram cometidos.
Nossos panos de bunda separados
Nossas brigas furtaram esse amor
Que pra nós já não tem nenhum valor
E por dentro nós estamos intrigados
Nossos corpos de mais tão separados
O meu ser e o teu estão feridos
Não tem mais injeções e comprimidos
Pra tornar esse amor novo e perfeito
Nosso ninho de amor ficou desfeito
Pelos erros que foram cometidos.

Dayane Rocha


Eu vivi as maiores das paixões
Minha vida girou no anti-horário
Quis voltar quando tudo era contrário
Pra sentir novamente as emoções
Pra provar o prazer das sensações
Onde aquele momento foi perfeito
Os minutos não foram satisfeito
E abriu no meu peito uma ferida
"Eu vivi um amor pra toda vida
Num pedaço de tempo insatisfeito"

Mote: Mariana Véras
Glosa: Dayane Rocha




É a falta de chuva sobre a terra
E um pão pro menor abandonado
Desde quando nasceu esse coitado
Que não sabe o que faz por isso erra
É os olhos expostos para a guerra
É a carne o desejo e a vontade
E o sonho tornar realidade
De ‘florar ‘ meu nordeste e o meu chão
É a seca acabando meu sertão
E você me matando de saudade

É a falta de um pingo na goteira
É o poço também já tá secando
É o povo da vida reclamando
Já não tem água boa na torneira
É aquele amor de brincadeira
Onde tudo parece ser verdade
A distância não sabe a crueldade
Que ela tá me causando ao coração
É a seca acabando meu sertão
E você me matando de saudade

Dayane Rocha 

Devolvesse o que eu tanto procurava
Teu amor, teu carinho e teu abraço
E eu quero prender é no teu laço
A saudade em mim já afetava
Solidão todo dia me abraçava
Mas agora tu és um satanás
Me deixando sozinha e aliás
E te ter ao meu lado inda preciso
Tu trouxeste pra mim o teu sorriso
Mas, levaste contigo a minha paz.

Dayane Rocha 


OS MEUS BECOS ESTREITOS SEM PASSAGEM
NÃO OS DEIXAM QUE EU SIGA NO CAMINHO
MAS VOU TER QUE APRENDER VIVER SOZINHO
SEM PODER NEM LEMBRAR DA TUA IMAGEM
OS MEUS PÉS ME IMPEDEM QUE VIAGEM
TÃO GRUDADOS E NÃO SAEM DO LUGAR
TÃO QUERENDO DE VEZ É ACABAR
COM O POUCO QUE RESTA DESSA VIDA
OS MEUS BECOS SÃO TODOS SEM SAÍDA
E EU NÃO SEI COMO FAÇO PRA VOLTAR.

Dayane Rocha 

Vou botar placa de venda
Para quem quiser comprar
Não precisa preocupar
Pois ele não tem a fenda
Faça nele a sua tenda
E me pague adiantado
Eu só não vendo fiado
Por que tá na promoção
"Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado."

Se tiver mais comprador
Eu posso até leiloar
Quem der mais já vai levar
 O estoque do  amor
Que pra mim não tem valor
E agora já tá comprado
O valor foi alterado
Mais a compra num foi não
"Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado."

Ele não tem validade
E dentro tem um tesouro
Que vale mais do que ouro
E de boa qualidade
Estou com necessidade
Um prejuízo danado
O frete é gratificado
E divido no cartão
"Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado."

Se ele não funcionar
Não venha me cobrar nada
Na venda foi avisada
Mas tu não quis escutar
Porque queria comprar
E agora já tá comprado
Não quero troço quebrado
Não aceito devolução
"Vou vender meu coração
Por qualquer tostão furado."

Glosa: Dayane Rocha
Mote: Pedro Torres 

Saudade...

Todo dia eu escuto em minha porta,
Bem de longe um alguém ali falando,
Mas eu penso que eu to imaginando,
Essa dúvida por dentro ele me corta,
Minha alma também passou de morta,
O bastante pra não mais ter vontade,
Mas queria voltar pra quela idade,
Quando ainda era um doce de criança,
Todo dia eu recebo uma cobrança,
Quando vejo o boleto é da saudade.



Quando deito o meu corpo pesa tanto,
Pois o peso das rugas vão crescendo,
E o nível de vida vai descendo,
Aumentando a taxa do meu pranto,
Fui feliz e agora vejo o quanto,
Foi gostosa a minha mocidade,
Mas o tempo passou, felicidade,
Foi embora e restou só a lembrança,
Todo dia eu recebo uma cobrança,
Quando vejo o boleto é da saudade.

Dayane Rocha